Vários procedimentos urológicos podem ser feitos de forma ambulatorial, geralmente com anestesia local ou sedação leve, e sem necessidade de internação prolongada. Neste texto explicamos os mais procurados: vasectomia, postectomia (tratamento da fimose), cauterização e biópsia de lesões.
Vasectomia
É um método de contracepção definitiva masculina. O procedimento interrompe os canais deferentes, por onde os espermatozoides seguem dos testículos para o sêmen. É feito em consultório ou centro cirúrgico, em geral com anestesia local, e dura cerca de 20 a 30 minutos.
- Não altera a produção de testosterona, o desejo sexual, a ereção nem a ejaculação; o volume do sêmen é praticamente o mesmo.
- Não é imediata: é preciso realizar ejaculações e fazer o espermograma de controle para confirmar a ausência de espermatozoides. Até lá, deve-se manter outro método contraceptivo.
- Deve ser considerada definitiva. A reversão é uma cirurgia complexa e sem garantia de sucesso.
- Não protege contra infecções sexualmente transmissíveis.
Quem pode fazer: a legislação brasileira (Lei do Planejamento Familiar, atualizada em 2022) exige capacidade civil plena e idade mínima de 21 anos ou, pelo menos, dois filhos vivos, além de um prazo de reflexão e aconselhamento antes do procedimento. O consentimento do cônjuge não é mais exigido. Vale confirmar as regras vigentes na consulta.
Dúvidas práticas: vasectomia: dúvidas frequentes e como reverter a vasectomia.
Fimose e postectomia
A fimose é a dificuldade ou impossibilidade de expor a glande por estreitamento do prepúcio. Em bebês e crianças pequenas, a aderência é fisiológica e costuma se resolver com o tempo. Em crianças maiores e adultos, pode causar dor na ereção, inflamações de repetição (balanopostite), dificuldade de higiene e infecções urinárias.
Em alguns casos é possível tentar tratamento com pomadas prescritas pelo médico. Quando não há melhora ou há complicações, indica-se a postectomia (circuncisão), cirurgia rápida que retira o excesso de prepúcio, em geral com alta no mesmo dia.
Veja a comparação completa em fimose, parafimose e balanopostite.
Cauterização e biópsia de lesões
Lesões na pele da região genital, como verrugas (condilomas associados ao HPV), devem ser avaliadas por um médico. Algumas podem ser tratadas com cauterização ou outros métodos locais. Lesões de aspecto suspeito ou que não cicatrizam precisam de biópsia, para esclarecer o diagnóstico. Após o tratamento do HPV, é importante manter o acompanhamento, pois as lesões podem reaparecer.
Como é a recuperação?
De modo geral, o retorno às atividades é rápido, com algum desconforto, edema ou pequenos hematomas nos primeiros dias, controlados com medicação e repouso relativo. As orientações sobre curativo, atividade física e relação sexual variam de acordo com o procedimento e são entregues por escrito.
Quando procurar um urologista
- dor, vermelhidão ou secreção na região operada
- febre após o procedimento
- sangramento que não para ou aumento importante do inchaço
- lesão genital que não cicatriza ou que muda de aspecto
- dificuldade para expor a glande com dor ou infecções repetidas
Em caso de dor muito intensa, febre alta ou impossibilidade de urinar, procure um pronto-atendimento.
Perguntas frequentes
A vasectomia diminui a libido ou a ereção?
Não. A vasectomia não interfere na produção de testosterona nem na função erétil.
Quando posso ter relações sem proteção após a vasectomia?
Somente depois que o espermograma de controle confirmar a ausência de espermatozoides, conforme orientação médica.
A vasectomia tem reversão?
Existe cirurgia de reversão, mas com resultado variável e sem garantia de gravidez. Por isso, a decisão deve ser tomada como definitiva.
Toda fimose precisa de cirurgia?
Não. Em crianças pequenas ela costuma ser fisiológica. O tratamento é avaliado caso a caso, e a cirurgia é indicada quando há sintomas ou complicações.
Ficou com alguma dúvida sobre o seu caso?
Cada paciente é único. A consulta permite uma avaliação individualizada, presencial ou por telemedicina.
Agendar uma consultaEste texto tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui a consulta médica, não constitui diagnóstico nem recomenda tratamento individual, e não garante resultados. Procure sempre um médico para avaliação do seu caso.
Para saber mais (fontes de referência): Portal da Urologia – Sociedade Brasileira de Urologia • INCA – Instituto Nacional de Câncer • European Association of Urology (diretrizes)